Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!
Jó perde tudo num só dia e ainda assim adora. O livro não explica o porquê: mostra a fé resistindo antes de qualquer resposta.
Contexto de Jó 1
O livro de Jó não diz quem escreveu nem quando. Uz, a terra onde a história começa, provavelmente fica fora de Israel, mas o texto não localiza com precisão, e autoria e data seguem desconhecidas até hoje.
Jó é apresentado antes de qualquer desgraça: íntegro, reto, temente a Deus, pai de dez filhos, dono de um rebanho enorme, descrito como o maior homem do Oriente. O capítulo muda de cenário sem aviso: da terra para o céu, onde Satanás também aparece entre os filhos de Deus. É ali que a pergunta decisiva é feita, sem que Jó chegue a saber dela.
Jó 1 explicado
O capítulo tem dois cenários e termina num só dia de perdas.
- 1:1-5: Jó é apresentado como íntegro e próspero, cuidadoso até com o possível pecado dos filhos, oferecendo sacrifício por eles só por precaução.
- 1:6-12: no céu, o Senhor pergunta a Satanás se ele reparou em Jó. Satanás responde com a pergunta que dá nome ao capítulo, se Jó teme a Deus debalde, e recebe permissão para atingir os bens e os filhos, mas não a vida de Jó.
- 1:13-19: quatro mensageiros chegam, um atrás do outro, cada um anunciando uma perda maior: os bois e as jumentas, as ovelhas, os camelos e, por fim, os dez filhos, mortos numa só casa.
- 1:20-22: Jó rasga o manto, raspa a cabeça, cai em terra e adora. Diz que saiu nu do ventre da mãe e nu vai voltar, que o Senhor deu e o Senhor tomou, e não peca nem culpa a Deus por nada disso.
Porventura, Jó debalde teme a Deus?
O capítulo 2 repete o padrão, agora atingindo a saúde de Jó. Os capítulos seguintes trazem três amigos que passam a maior parte do livro insistindo que todo sofrimento é castigo, até Deus responder do meio de um redemoinho, nos capítulos 38 a 41, sem nunca contar a Jó o que o leitor já sabe desde o capítulo 1. No fim, o Senhor corrige os três amigos, não Jó.
Tendo o Senhor falado estas palavras a Jó, o Senhor disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.
Esboço de pregação sobre Jó 1
Texto base: Jó 1:20-22.
- I. A fé que adora antes da resposta. Jó não sabe da cena no céu. Adora sem entender, porque a adoração não espera explicação para existir.
- II. O Senhor deu, o Senhor tomou. Jó nomeia os dois lados na mesma frase, sem escolher contar só a parte que dói menos.
- III. Bendito seja o nome do Senhor. A bênção sai da boca de Jó no mesmo dia da perda, não meses depois, quando a dor já tivesse amolecido.
- Aplicação: nomeie esta semana uma perda concreta, sem suavizar. Na mesma oração, sem pular a dor, diga em voz alta uma frase que bendiga o nome do Senhor.
Perguntas para estudo em grupo
- Que perda você teria mais dificuldade de sofrer do que os bens de Jó?
- Jó adora sem saber a razão da perda. O que muda em você ao aceitar que nem toda dor vem com explicação?
- Os três amigos de Jó erram ao transformar sofrimento em prova de pecado. Onde você já ouviu, ou disse, algo parecido?
- O que significa, na prática desta semana, bendizer o nome do Senhor no mesmo dia de uma perda, e não só depois de superá-la?
Perguntas frequentes
Quem escreveu o livro de Jó?
O texto não diz. Não há indicação segura de autor nem de data, e os estudiosos discutem o assunto sem consenso fechado. O mais honesto é dizer que autoria e época são desconhecidas.
Por que Jó sofreu?
O livro não entrega essa resposta pronta ao leitor. O leitor sabe da conversa entre Deus e Satanás no capítulo 1, mas Jó nunca fica sabendo dela, nem recebe explicação quando Deus finalmente fala, no capítulo 38. O livro mostra a fé resistindo no escuro, não uma fórmula sobre a origem do sofrimento.
Os três amigos de Jó tinham razão ao dizer que ele tinha pecado?
Não. Em Jó 42:7, o próprio Senhor diz a Elifaz que ele e os outros dois amigos não falaram de Deus o que era reto, como Jó falou. O livro corrige, no fim, a ideia de que todo sofrimento é castigo.

