Guia

Como pregar a Palavra de Deus

Do preparo silencioso ao domingo de manhã: o que fazer antes, durante e depois de pregar, sem esquecer que método não substitui chamado e oração.

Antes de subir ao púlpito

Pregação boa começa antes do domingo, na cadeira de estudo, não em pé no púlpito. Ore pelo texto antes de estudar o texto: peça para entender o que Deus quis dizer, não só para achar um assunto que caiba na semana.

Leia a passagem várias vezes, em dias diferentes, antes de montar o esboço. Na primeira leitura você entende o óbvio. Na terceira ou na quarta, aparecem as perguntas que realmente valem pregação. Se só sobrar tempo para uma leitura corrida no sábado à noite, a pregação costuma soar corrida também.

Separe um tempo curto de oração pela igreja que vai ouvir, não só pelo sermão. Pastor que ora pelo texto e esquece de orar por quem vai sentar no banco prega para uma plateia imaginária, não para a igreja real.

Preparar a mensagem

Depois de orar e ler o texto várias vezes, vem a hora de montar o esboço: escolher os pontos, achar a ilustração certa, decidir onde aplicar. Esse passo tem guia próprio, com passo a passo e um esboço para acompanhar.

Escolher o tipo de pregação certo para a semana, seguir um texto do início ao fim ou reunir textos em torno de um tema, também muda o tempo de preparo. Vale conhecer as opções antes de travar sempre no mesmo formato.

Na hora de pregar

Voz e ritmo importam mais do que parece. Fale mais devagar do que parece natural: quem está nervoso tende a acelerar, e a igreja perde metade das frases. Varie o volume nos momentos certos. Um silêncio de dois segundos antes de uma frase importante pesa mais do que gritar ela.

Olhe para a igreja, não só para o texto ou para o teto. Contato visual não precisa ser fixo numa pessoa só: passe o olhar pela sala devagar, como quem conversa, não como quem lê um comunicado.

Combine o tempo antes de subir, e cumpra. Igreja pequena sente o culto passar do ponto mais rápido do que igreja grande, porque o banco é o mesmo há trinta anos e o almoço está esperando. De vinte e cinco a trinta e cinco minutos costuma caber bem numa semana comum.

Sobre Bíblia aberta ou celular: use o que ajudar você a olhar menos para baixo. Papel com letra grande e poucas anotações funciona para muita gente. Celular funciona também, desde que a tela não vire distração no meio do texto. O instrumento importa menos do que a Palavra estar de fato aberta, física ou na tela, diante da igreja.

Pregar em igreja pequena e em culto de lar

Igreja pequena não pede uma pregação menor, pede uma pregação mais próxima. Sem palco e sem telão, o rosto de quem prega fica a poucos metros do rosto de quem ouve. Isso muda o tom: menos discurso de auditório, mais conversa séria olho no olho.

Em culto de casa, com sofá em vez de banco, a pregação costuma render melhor mais curta e com mais pergunta no meio. Pare depois de um ponto e pergunte o que a pessoa está pensando. Culto de lar aguenta interrupção. Culto de domingo de manhã, geralmente não.

Para semanas em que o tempo é curto ou a plateia é pequena, um esboço mais enxuto ajuda mais do que um sermão longo cortado às pressas.

Primeira pregação e nervosismo

A voz tremer na primeira vez não é falta de chamado. É o corpo reagindo a uma sala cheia de gente olhando para você. Quase todo pregador tremeu na primeira pregação, só que ninguém filmou aquele dia.

Prepare mais do que vai usar. Na primeira vez, a segurança não vem de improvisar bem, vem de ter estudado o suficiente para não depender só da memória no momento de mais nervosismo. Leve o papel ou o celular com o esboço, e use sem vergonha.

Escolha, para a primeira vez, um texto que você já entende bem, não o mais difícil da Bíblia. Aprender a organizar uma pregação e aprender a explicar um texto complicado são duas curvas de aprendizado. Não precisa subir as duas juntas.

Depois da pregação

Pergunte a uma ou duas pessoas de confiança o que ficou claro e o que não ficou. Pergunta genérica recebe resposta genérica: troque um bonito, gostei da pregação por uma pergunta concreta, como qual parte você lembra amanhã de manhã.

Anote, ainda no mesmo dia, o que você faria diferente: um ponto que passou rápido demais, uma ilustração que não funcionou, o tempo que estourou. A memória do domingo à noite vale mais do que a lembrança vaga de daqui a um mês.

Erros comuns no púlpito

Alguns erros aparecem de novo e de novo, mesmo em pregadores com anos de púlpito. Vale conferir a lista antes de cada domingo, não só na primeira vez.

  • Falar mais de si mesmo do que do texto: a pregação vira relato pessoal, e o texto vira epígrafe decorativa.
  • Humilhar a congregação da frente do púlpito, mesmo em tom de brincadeira: quem está sentado não tem como responder, e a igreja aprende a temer o microfone, não a Palavra.
  • Passar do tempo combinado toda semana: a igreja para de confiar no horário e passa a se planejar para o atraso.
  • Prometer o que a Bíblia não promete, como cura garantida ou prosperidade certa em troca de fé ou oferta: a promessa quebrada custa mais caro do que o silêncio sobre o assunto.

Isso não substitui o chamado

Nada neste guia troca o que só vem de joelhos. Voz treinada, tempo cronometrado e esboço bem feito ajudam a comunicar melhor, mas não geram convicção, não convertem ninguém e não substituem a oração antes, durante e depois do preparo.

Pregar bem tecnicamente e pregar dependendo de Deus não são a mesma coisa. Um pastor pode acertar cada dica deste guia e ainda assim subir ao púlpito sem ter orado a sério pelo texto durante a semana. O método serve ao chamado. Nunca o contrário.

Perguntas frequentes

  • Como pregar a Palavra de Deus pela primeira vez?

    Escolha um texto que você já entende bem, prepare mais do que vai usar, e leve o esboço no papel ou no celular sem vergonha de consultar. A voz tremer na primeira vez é normal, não é falta de chamado.

  • Quanto tempo deve durar uma pregação?

    Numa igreja pequena, de vinte e cinco a trinta e cinco minutos costuma caber bem numa semana comum. O mais importante é combinar o tempo antes de subir e cumprir, porque a igreja sente o culto passar do ponto.

  • Posso usar o celular no púlpito em vez do papel?

    Pode. O que importa é que a tela ajude você a olhar menos para baixo, não que vire distração no meio do texto. Use o que funcionar melhor para você: papel com letra grande ou celular com o esboço já pronto.

  • Como pregar numa igreja pequena ou num culto de casa?

    Com uma pregação mais próxima, não necessariamente mais curta, mas com mais espaço para pergunta no meio. Sem palco nem telão, o tom natural é de conversa séria, olho no olho, não de discurso de auditório.

  • O que fazer se der branco no meio da pregação?

    Pare, respire, e volte ao texto aberto na sua frente. Quem prepara com o esboço em mãos, no papel ou no celular, tem para onde olhar quando a memória falha. A igreja costuma entender uma pausa muito melhor do que o pregador imagina.

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